sábado, 16 de abril de 2011

Cicatriz


E foi naquela despedida. Naquele abraço apertado, demorado, do qual nenhum dos dois quis ser o primeiro a se afastar. Foi nesse momento que eu percebi que não dói mais. Não aperta mais o peito e não revira mais o estômago. Não tenho mais o reflexo da rejeição a um novo toque. Foi nesse momento que eu percebi que eu não tenho mais mágoa. Demorou, eu reconheço. E foi um processo doloroso, algumas vezes até demais, eu sei. Também cheguei a pensar que esse dia nunca chegaria, o dia em que eu não estaria apenas fingindo estar tudo bem. Agora sim, voltou a estar tudo em paz dentro de mim. Agora sim, depois que minha dor diminuiu até quase não ser possível perceber, depois que o tempo ajudou as feridas a cicatrizarem, depois que todas as lágrimas secaram, é que eu sinto que se realmente ainda resta algo que vale a pena preservar e sim, se isso permanece, é por que foi verdadeiro não só pra mim e de alguma forma, não foi só eu que sofri.
Agora que já não dói mais.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sobre livros e sobre ler...


Algumas pessoas bebem. Outras fumam. Ainda existem as que usam drogas ilícitas. E por fim, tem as pessoas que bebem, fumam e se drogam: tudo para fugir de algo e encontrar paz e alívio em algum mundo distante da sua realidade. Compreendo totalmente essas pessoas. Na verdade as vejo sem qualquer tipo de censura, afinal, como diz a canção "cada um sabe a dor e a alegria de ser o que é". Vejo todas essas coisas/ações como ferramentas de fuga, já deu pra perceber. Eu também tenho a minha: a literatura. Leio compulsivamente, obcecadamente, paranoicamente. Leio sem qualquer tipo de preconceito, desde bula de remédio e lista telefônica a best seller da literatura mundial. Nâo me importa trata-se de um romance, ficção, terror, mistério, religioso, auto ajuda, poesia, histórico, novela, gibi ou mesmo acadêmico. Os livros são a minha paixão correspondida: eu me entrego a eles e eles me devolvem horas de completa satisfação, entretenimento e emoções... cansei de me surpreender derramando lágrimas pelas despedidas, rompimentos e reencontros gravados em linhas eternizadas num volume qualquer. Percebi também que desenvolvi a capacidade de conversar com os personagens enquanto leio! Eu questiono suas decisões, xingo e até festejo com eles... parece louco, eu sei, mas acredite, eu descobri que sou realmente feliz quando vivo uma vida imaginária, onde em 99% dos casos, o final é feliz.
Mas não, não me olhe assim... minha vida não é tão ruim quanto faço parecer. Talvez seja apenas a capacidade criativa dos autores que me fazem achar o mundo literário bem mais atraente que o meu mundo real... talvez seja isso. Talvez.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Vontade...


Cidadezinha qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.


De Alguma poesia (1930)
Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Saudade


Eu estou em casa por conta de um atestado médico. Dores nos ombros e pescoço me afastaram do trabalho nestes últimos dias e como ociosidade e tédio sempre me deixaram louca, tenho aproveitado para agilizar coisas e assuntos pendentes, como minha matricula no cursinho, o sofá novo, algumas roupas e uns pares de sandálias, que foram acrescentados ao guarda roupa. Há, me dei conta que preciso voltar à livraria, pois os melhores livros que tinha comprado já foram lidos e a lista de filmes assistidos aumentou bastante. Filmes ótimos, sabe? Do tipo de filme que eu adoraria comentar com você. Alías, tenho uma lista de bom tamanho de filmes interessantes e livros bacanas pra você. Tenho saudade das nossas conversas que varavam a madrugada falando de tudo isso, da vida e do futuro. Tenho saudade de falar com você. E em meio a tudo o que tenho procurado pra ocupar o meu tempo, é da sua voz que sinto falta, do seu sorriso pretensioso e do seu colo mal intencionado.

Sinto saudade de você.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Bem vindo 2011


Meu único projeto para 2011 é olhar pra frente.
E mesmo se tiver que fechar os olhos pra usar a imaginação, é uma trilha sempre em frente que eu quero trilhar.
Ainda que chova de dentro pra fora, eu desejo sol e flores e sorrisos.
Mesmo que seja em meio a lágrimas.
Ainda que pareça solitária a caminhada, continuar caminhando até o fim.
Não há nada mais que eu queira.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Até 2011


Mais um ano se vai. Normalmente fazemos aquele balanço do ano que se finda e listamos planos para o ano que começa. Normalmente. Mas eu não vou fazer isso. Nao tenho qualquer intenção de listar alegrias ou frustrações, pois elas estão aí para serem vividas e não listadas. Considero o contrario muita mediocridade do ser humano. Afinal, o ontem pertence ao passado e o amanhã cabe a doce espera do futuro. Nisto esta a poesia da vida, ora essa. Outro fator é que eu não tenho tido muita paciência ultimamente. Não vou ser cruel comigo mesma e dizer que estou com preguiça quando na verdade o que eu tenho é um grande cansaço. É isso, cansaço. Ultimamente, as coisas parecem muito um círculo vicioso de onde não surge nada novo e empolgante. Eu sei que tudo isso está soando muito chato e deprimente, mas eu não ligo. Nâo é que não haja nada para dizer. Nâo é isso. Eu poderia falar sobre o final tão esperado da minha pós graduação; sobre como esse foi um ano onde eu me decepcionei com grande parte das pessoas que eu chamo de amigas e isso foi uma grande lição para mim; também poderia falar sobre pessoas queridas e realmente valorosas que se foram mas a questão toda é que eu não quero falar de nada disso. Eu não vou falar porque estou muito cansada das palavras ditas ao vento como se ele pudesse responder. Cansada de tanta besteira também. Chega de tanta futilidade e bobagem soterrando agente de informação desnecessária. Chega de look do dia, de esmalte da moda, de lançamentos de make. Chega de falar tanto sobre as mesmas bobagens. Chega. Eu também não ligo se tudo isso parece que estou mal humorada ou deprimida.
“ O que eu ganho ou o que eu perco, ninguém precisa saber.”
Até 2011.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Uma cronica de amor real


Eu lembro das gargalhadas e do barulho alto da música, das muitas pessoas e da minha cabeça bem leve por conta do álcool. Tinha ainda aquela dorzinha que sinto no estômago quando está na hora de parar de beber. Eu lembro também de quando no meio do nada, meus olhos encontraram os seus. Parecia uma miragem, parado alí a poucos metros, me olhando fixamente sem mexer um músculo que fosse. Foi aí que ficou tudo meio embaçado e confuso. Primeiro achei que fosse uma alucinação etílica e procurei um lugar pra me apoiar. Pisquei rapidamente várias vezes, mas você continuava lá, me olhando com esses olhos castanhos profundos e indecifráveis. Por alguns segundos eu fiquei repetindo pra mim mesma que estava na hora de parar de beber, mas não conseguia desviar o olhar para perguntar a alguém ao meu lado se via o que eu estava vendo. Parece loucura mas era mesmo como um desses sonhos estranhos que agente acorda sem nunca lembrar do final. Foi ai que eu percebi, com um choque de adrenalina correndo pelo meu corpo e fazendo meu estômago revirar, que não se tratava de uma alucinação provocada pelo meu subconsciente alcoolizado, mas sim, era mesmo você. Eu não conseguia distinguir o que aquilo significava, seus olhos segurando os meus, sem demonstrar qualquer reação e sem perder o interesse. Talvez fosse reprovação o que eu via nos seus olhos. Talvez tenha sido porque logo senti uma vergonha grande por estar alí, bêbada no meio daquela bagunça toda, como uma adolescente inconseqüente. E senti uma vontade grande de fugir ou me encolher. Alías, fugir de você foi a arte em que me especializei nos últimos anos. Quantos mesmo? Uns dois ou três? Tento tanto não pensar nisso, mas não consigo esquecer a maior parte, embora nunca tenha sido boa com datas. Mais alguns segundos se passaram e minha vergonha virou curiosidade com sua inércia. Porque não ia embora? Porque ainda me olhava do outro lado da rua, encostado no carro, enquanto eu parecia tudo, menos a pessoa com quem um dia você fez planos? Rapidamente milhões de cenas povoaram minha mente e eu me vi envolta em lembranças e sentimentos que nunca mudaram aqui dentro. Senti uma vontade louca sair correndo e me jogar nos seus braços, sentir suas mãos me apertarem pela cintura contra seu corpo enquanto um beijo longo me faria enfim encontrar o caminho novamente. E então não havia mais barulho, mais pessoas, mais bagunça, mas qualquer coisa ou sentido ao nosso redor. Éramos novamente você e eu. Como foi um dia, como talvez nunca tenha deixado de ser, como talvez um dia ainda possa voltar... Foi ai que eu senti uma dor profunda apertar minhas costelas e peito e uma vontade enorme de chorar. Há, se você pudesse ver o que faz acontecer dentro de mim... foi então que eu senti medo. Medo de piscar novamente e não estar mais lá quando eu abrisse os olhos. Medo maior ainda de ficar por mais um segundo que fosse com os olhos presos aos seus e perder a noção do certo e errado, se é que ainda existia, e me deixar levar pelo momento. E lembrei do seu cheiro, do som do seu riso, do calor do seu abraço, da força e delicadeza das suas mãos, e desejei profundamente tudo aquilo novamente, como uma criança encantada pela espera do Natal. Eu não sei por quanto tempo ficamos nos olhando profundamente, calados e sem ação, como que perdidos, sem saber o que fazer. Poderia ter sido um único minuto ou uma semana, o fato é que jamais poderei responder isso. Mas então você se mexeu e veio em minha direção, enquanto eu sentia o chão sair debaixo dos meus pés, minhas mãos suarem e minhas pernas tremerem. Então você sorriu e eu vi que minhas lembranças não te faziam justiça... e menos ainda à paixão dos seus beijos.